| EXPERIÊNCIAS EM GESTÃO DE MÉTODOS PARTICIPATIVOS COMO INSTRUMENTO PARA O DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES TURÍSTICAS RESPONSÁVEIS EXPERIENCES IN PARTICIPATIVE METHODS MANEGEMENT AS A TOOL FOR THE DEVELOPMENT OF RESPONSIBLE TOURISM ACTIVITIES Maria Claudia Rodrigues e Luciane Drescher RESUMO
O presente estudo apresenta as experiências que vêm
sendo desenvolvidas pela Cooperativa de Formação e Desenvolvimento do
Produto Turístico - COODESTUR , com o uso de Métodos Participativos aplicados
à projetos de turismo em comunidades rurais, em especifico no Programa de
Capacitação de Agricultores Familiares Turismo e Agroecologia no Alto Uruguai.
Neste trabalho são tratadas as ferramentas, estratégias e os resultados
qualitativos gerados pelo Programa desde o seu inicio até o presente momento.
Através da gestão em métodos participativos, a COODESTUR busca contribuir
para que os beneficiários do Programa se tornem sujeitos de transformação
no processo turístico, recebendo visitantes e comercializando roteiros e
produtos agroecológicos através de atividades turísticas responsáveis. Palavras-chave: gestão de métodos participativos,
planejamento do turismo, turismo responsável, agroecologia. ABSTRACT This article presents a study of the experience that has
been realized by COODESTUR - Cooperative for the Creation and Development of
Tourist Products - based in the use of Participative Methodologies applied to
projects evolving tourism in rural communities as specifically in the Program
for Familiar Farmers: Tourism and Agroecology in Alto Uruguai. This work also
introduces some of the tools, strategies and qualitative results generated by
the Program from its beginning up to the present moment.
It is through the management of participative methods
that COODESTUR aims to contribute for these people who beneficiate from the
Program to become actors in the process of tourism, as they receive visitants
and commercialize their products in a responsible way. Key words: participative methods management, tourism planning, responsible tourism, agroecology INTRODUÇÃO Este trabalho relata experiências em gestão de métodos participativos aplicados ao Programa de Capacitação de Agricultores Familiares - Turismo e Agroecologia no Alto Uruguai. O Programa está sendo desenvolvido na região do Alto Uruguai Catarinense e Gaúcho, em comunidades atingidas pelo Lago formado pela Barragem de Itá.
A responsável pelo Programa é a Cooperativa de Formação e Desenvolvimento do Produto Turístico - COODESTUR. A entidade vem realizando ações na região desde 2001 em parceria com a Associação dos Municípios Lindeiros à Barragem de Itá - AMULBI, no diagnóstico e desenvolvimento de diretrizes para o fortalecimento da atividade turística regional. Atualmente fazem parte da AMULBI os municípios de Aratiba, Três Arroios, Mariano Moro, Severiano de Almeida e Marcelino Ramos no Estado do Rio Grande do Sul, e Itá, Arabutã, Seara, Concórdia, Peritiba, Piratuba, Ipira e Alto bela Vista no Estado de Santa Catarina.
A escolha pelo uso de métodos participativos no trabalho com comunidades rurais foi feita com o propósito de que fosse proporcionado, desde o início da construção da proposta, a inserção gradual do grupo beneficiário nas ações desenvolvidas e na busca pela autonomia e auto gestão. Partindo deste princípio se deu a construção coletiva do Programa, através da parceria da entidade proponente com organizações e lideranças locais.
A proposta foi aprovada na Chamada para Projetos ATER/Capacitação 2005 do Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA, e viabilizada pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF.
A Política Nacional de ATER - Assistência Técnica e Extensão Rural, (2003: 23) traz o seguinte conceito para formação e capacitação, sendo: "Processo de avanço do conhecimento e da consciência, capaz de despertar e fortalecer habilidades, dinamizar o saber local apropriado pelos atores envolvidos, criar novos conhecimentos e disseminar informações úteis para os objetivos de cada grupo social, de modo a permitir mudanças de comportamento e de atitude a partir da leitura crítica da realidade concreta." Este foi um dos conceitos norteadores na realização deste Programa de Capacitação. A partir daí foram estruturadas ferramentas simples e práticas que auxiliaram na construção coletiva de conceitos, e na busca de atividades turísticas que valorizem e promovam a agroecologia, oferecendo benefícios e minimizando impactos nas comunidades locais.
Portanto, o objetivo deste artigo é demonstrar o uso de Métodos Participativos aplicados à projetos de turismo em comunidades rurais.
A metodologia utilizada para alcançar este objetivo foi a pesquisa exploratória, a partir da pesquisa de dados secundários, revisão da literatura sobre o tema e posterior reflexão crítica.
Estruturalmente, este trabalho é iniciado com uma breve fundamentação teórica, na qual são abordados aspectos relevantes à compreensão do tema discutido. Em seguida, é apresentada a metodologia utilizada na COODESTUR, e por fim, as conclusões do estudo, bem como limitações e estudos futuros.
1. A REGIÃO DO ALTO URUGUAI A Região do Alto Uruguai está situada entre os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, formada por uma área de 2.915 Km2 com 129.583 habitantes segundo Censo realizado em 2000. Os municípios apresentam populações predominantemente rurais, que têm na agropecuária sua principal fonte de renda.
Com a construção da Usina Hidrelétrica de Itá, muitas famílias foram atingidas pelas águas que formaram um lago de aproximadamente 141km². A este respeito a entidade proponente do projeto, COODESTUR (2006) afirma que: "Foram atingidas pelas águas cerca de 3.219 propriedades rurais, num total de 36 núcleos rurais e 3.560 famílias. Destas, 2.733 (...) partiram para os núcleos urbanos, deixando assim o trabalho no campo. E 827 foram reassentadas em zonas próximas a sua localização original, continuando suas práticas de agropecuária." A região sofreu impactos socioeconômicos com a construção da hidroelétrica. Considerando esses impactos, o Programa de Capacitação de Agricultores Familiares apresenta uma alternativa às famílias, possibilitando agregar valor a produção, valorizar a cultura, diminuir o êxodo rural, fortalecer os laços da comunidade, vitalizar os costumes típicos, canções, danças, comidas, entre outros.
A região beneficiária deste Programa caracteriza-se pela predominante agricultura familiar, com mais de 400 famílias de agricultores produzindo hortifrutigranjeiros orgânicos. A forma de comercialização é feita principalmente através da venda do produto in natura em feiras.
De acordo com a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural,(2003: 22) considera-se dentro do conceito de agricultura familiar: "Os trabalhos em nível de unidade de produção são exercidos predominantemente pelas famílias, que mantém a iniciativa, o domínio e o controle do que e como produzir, havendo uma relação estreita entre o que é produzido e o que é consumido, mantendo um alto grau de diversificação produtiva, sendo alguns produtos relacionados como o mercado." O trabalho desenvolvido pela agricultura familiar valoriza a produção e o consumo local, diferente da chamada agricultura "industrial". As famílias são responsáveis pelo cultivo de alimentos que garantem boa parte do abastecimento das cidades e sua subsistência, e este último é um dos fatores sociais que fazem com que este tipo de agricultura mereça importância e destaque frente à outros, que apenas visam o lucro e a capitalização de grandes empresas.
A relação próxima da família com a terra e a continuidade de culturas e tradições comunitárias faz com que a agricultura familiar ofereça elementos favoráveis ao desenvolvimento de atividades de turismo rural.
Na agricultura ecológica ainda encontramos uma maior preocupação por parte das famílias em manter e enriquecer o meio ambiente onde estão inseridos, favorecendo atividades de vivência em meios naturais, chamadas também de turismo agro ecológico.
Existe uma demanda crescente na região por produtos agroecológicos. As feiras municipais hoje já não conseguem abastecer o mercado local. E como resultado do trabalho de sensibilização para o cultivo ecológico feito por agricultores e entidades de apoio como o CAPA (Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor) se percebe o aumento na busca de visitas a estas famílias e propriedades.
2 - TURISMO E AGROECOLOGIA NA REGIÃO DO ALTO URUGUAI Desde 2001 a COODESTUR vem realizando trabalhos na região que permitiram o conhecimento da realidade local, suas potencialidades e necessidades. Primeiro foi feito, em parceria com a Associação dos Municípios Lindeiros à Barragem de Itá - AMULBI - um levantamento dos atrativos e equipamentos dos 13 municípios que na época pertenciam à Associação. A partir deste levantamento foi apontado o Turismo Rural como uma das atividades com maior potencial a ser desenvolvida na região, junto ao Turismo de Eventos e Esporte.
O Turismo Rural compreende atividades realizadas em propriedades produtivas complementares às agrônomas, isto é, o agricultor mantém sua produção agropecuária como prioridade, e o turismo ocupa o espaço de segunda fonte de renda principal. Podemos destacar como exemplo de atividades oferecidas à visitantes: plantio, colheita, organização de sementes, tosquia, alimentação dos animais, caminhadas pela propriedade, banhos de rio, pesca, artesanato, preparação de alimentos, turismo de vivência, entre outros. As atividades são as mais diversas e dependem das características da região em que está sendo desenvolvido o Turismo Rural, assim como da produção ou criação da propriedade.
Portanto as atividades turísticas no meio rural podem ser definidas segundo MACHADO (2005) como "o conjunto de atividades turísticas desenvolvidas no meio rural, comprometido com a produção agropecuária, agregando valor a produtos e serviços, resgatando e promovendo o patrimônio cultural e natural da comunidade".
Aliada à estas características encontramos as atividades turísticas já consolidadas na região. A oferta de balneários termais está presente em 04 dos 11 municípios que atualmente compõem a AMULBI, e é uma fonte de renda de destaque regional. Este tipo de turismo está associado à saúde, à prática de atividades saudáveis e de alimentação balanceada. O público que normalmente freqüenta os balneários está formado por pessoas sensibilizadas sobre estes temas e com razoável poder aquisitivo.
Assim, buscando aliar recursos existentes e fortalecer as atividades que já são desenvolvidas na região surge a proposta de turismo vinculado à ecologia e à produção familiar e orgânica de alimentos.
Através de uma linha de incentivos do Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA inserida no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF foi possível viabilizar esta proposta, que deu origem ao Programa de Capacitação de Agricultores Familiares. O Programa foi aprovado via Edital Federal em 2005 e está sendo realizado na região desde então.
O primeiro desafio foi identificar as famílias que poderiam ser beneficiadas pelas ações do Programa. Através de reuniões com entidades que apóiam a agricultura familiar e ecológica na região, Prefeituras Municipais e Associações de Produtores Rurais, foi possível formar um banco de dados com os nomes de possíveis beneficiários. Foram organizados encontros abertos divulgados pelas rádios e jornais locais, onde foi feita a apresentação da proposta e se iniciou a coleta de informações específicas de cada comunidade. Em alguns casos as famílias foram visitadas pela equipe técnica, no intuito de levar a informação àqueles que não poderiam se deslocar a estes chamados "Encontros de Sensibilização". Nos Encontros foram feitas as inscrições das Famílias interessadas, e as vagas prioritárias para participação nas atividades do Programa foram destinadas à agricultores ecológicos e em fase de transição da agricultura convencional para a agroecologia.
Foi importante oferecer o Programa à agricultores que não estavam necessariamente vinculados à cooperativas e associações, já que por esta razão são os que menos têm acesso à benefícios e à informação.
A proposta é de fortalecimento de atividades de um Turismo Responsável que promova a agroecologia, agregue valor a produção e recursos locais, contribua para a diminuição do êxodo rural, incentive a participação da família nas atividades e ofereça uma remuneração justa à estas comunidades. Por outro lado, se busca diversificar a oferta de produtos, atividades e alimentos saudáveis e autênticos ao visitante.
A venda dos produtos agroecológicos na região se dá normalmente de forma direta através das feiras, numa relação muito próxima com o consumidor. Está relação favorece a divulgação das atividades de turismo nas propriedades. Ao levar visitantes para dentro das propriedades é proporcionada uma maior interação com a família e com o ambiente de cultivo destes alimentos. Com isso se fortalece a sensibilização destas pessoas quanto à importância da agricultura familiar e da produção ecológica. Os visitantes entram em contato direto com o processo de cultivo, produção de sementes, preparo da terra, colheita e muitas vezes o processamento destes alimentos.
Os benefícios mensuráveis destas atividades são de caráter econômico e vinculados à qualidade de vida destas famílias. O aumento de ingresso através da venda de produtos na propriedade e oferta de serviços como alimentação, hospedagem, acompanhamento em passeios e visitas, é um dos resultados identificados. Mas o que mais se destaca são as mudanças nas relações familiares, onde podemos perceber uma maior interação entre os membros das famílias através do exercício das suas habilidades de comunicação, com conseqüente um aumento da auto-estima e da troca de saberes entre vizinhos. No final deste ano serão apresentados os resultados de uma pesquisa aplicada aos beneficiários, onde poderemos mensurar estes benefícios, entre outros que estão sendo avaliados.
O alcance destes benefícios se deu principalmente em virtude do modelo de Gestão Participativa que norteou o trabalho da equipe técnica. Foi fundamental estruturar uma proposta que viabilizasse a inserção gradual de conceitos e ferramentas para que, a médio prazo, o grupo possa alcançar a autonomia de suas ações e metas. Assim, os técnicos exerceram, desde o início do Programa, o papel de mediadores e facilitadores do processo do grupo.
3 - TURISMO RESPONSÁVEL
O turismo hoje está inserido nas atividades de consumo que mais geram lucro e criam postos de trabalho. Pode ser visto apenas como um produto rentável, a ser oferecido a um consumidor pouco incentivado a conhecer a realidade do destino e a sua comunidade. Assim, se promove uma relação apartada da realidade local, com o objetivo único de oferecer ao visitante um ambiente de escape e lazer.
Neste contexto, CARLOS (1999: 26) considera que o processo de atrair turistas provoca de um lado um sentimento de estranhamento por parte da comunidade anfitriã, e de outro transforma tudo em espetáculo e o turista em espectador passivo. Assim remete à chamada não-identidade e com isso ao não-lugar, pois longe de se criar uma identidade produz-se mercadorias para serem consumidas. Segundo o autor:
"A indústria do Turismo transforma tudo o que toca em artificial, cria um mundo fictício e mistificado de lazer, ilusório, onde o espaço se transforma em cenário para o espetáculo para uma multidão amorfa mediante a criação de uma série de atividades que conduzem à passividade, produzindo apenas a ilusão de evasão, e, desse modo o real é metamorfoseado, transfigurado, para seduzir e fascinar. Aqui o sujeito se entrega às manipulações desfrutando a própria alienação e a dos outros."
Como contraponto existe uma demanda crescente por atividades de Turismo Responsável, onde o turista se insere ao contexto visitado, e deixa de ser apenas um consumidor passivo. O visitante interage, aprende e troca com a comunidade, e esta, por sua vez, tem a oportunidade de conhecer o visitante, contar suas histórias e estar em contato com outras culturas. O Turismo Responsável valoriza as práticas comunitárias seus produtos, numa relação de respeito com o local visitado e seus habitantes. Aqui a relação de consumo se dá de maneira consciente, com a preocupação de conhecer as origens do produto, pagar um preço justo e valorizar os meios de produção. Estas, entre outras, são características do Turismo Responsável.
Segundo notícia divulgada no site http://contactoresponsáble.com (17/07/2007) :
"...A indústria turística é uma das indústrias com maior crescimento nos últimos anos, brindando grandes possibilidades de desenvolvimento aos países; por outro lado também devemos considerar o quanto sensível é está atividade e os impactos negativos que pode ocasionar nas comunidades receptoras. Por está razão, há alguns anos cresce o incentivo a prática do Turismo Responsável, o qual na atualidade experimenta o maior crescimento no mundo, de acordo com dados da Organização Mundial do Turismo - OMT. Enquanto o chamado Turismo Tradicional registra um crescimento de 7,5% ao ano, o Turismo Responsável registra 20% de crescimento e supõe um 5% do turismo mundial. Para a próxima década se espera que alcance 10% do turismo mundial. Os turistas são conscientes dos impactos negativos que a sua presença pode gerar, e agora buscam uma relação diferente. Também as companhias de turismo estão percebendo que ao não cuidar o ambiente, respeitar a cultura das comunidades locais e beneficiar a economia local é um mal negócio a longo prazo. Os viajantes exigem experiências autenticas, o contato direto com as comunidades locais, tours e alojamento ambientalmente amigáveis. Os turistas querem ser viajantes responsáveis." A proposta de trabalho da COODESTUR tem em vista o desenvolvimento de atividades turísticas planejadas, com base em um processo metodológico que tem como prioridade a participação dos sujeitos da comunidade na criação das atividades turísticas locais, sendo eles os principais atores multiplicadores do Turismo Responsável.
A finalidade do planejamento turístico "consiste em ordenar as ações do Homem sobre o território e ocupa-se em direcionar a construção de equipamentos e facilidades de forma adequada evitando assim os efeitos negativos nos recursos, que os destroem ou reduzem sua atratividade." (RUSCHMAN, 1997: 9). Sendo assim, o planejamento é fundamental para avaliar os impactos que o turismo pode provocar em uma comunidade. Através dele pode-se traçar diretrizes para o desenvolvimento de um Plano, levando-se em consideração as características da região, sendo elas geográficas, históricas, culturais ou sociais, com o objetivo de incentivar o diálogo e a construção de propostas entre os participantes do processo.
Com o foco na ação dos técnicos que atuam no planejamento de atividades turísticas, apresentamos a seguir os Princípios do Turismo Responsável de acordo com o Manual de Melhores Práticas para o Ecoturismo - Programa MPE, 2004:
Tendo em vista esses princípios, é importante ressaltar o papel dos técnicos ao lidar com questões ambientas, sociais e culturais, por meio da construção de projetos e planos de desenvolvimento turístico que possibilitem a participação dos sujeitos enquanto protagonistas dos processos locais.
Assim, "todo desenvolvimento verdadeiramente humano significa o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana." (MORIN,2003: 55).
O Programa de Capacitação apresentado neste trabalho tem como foco o fortalecimento de atividades de Turismo Responsável vinculadas à agroecologia.
Segundo o CAPA - Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (2005:.09), a agroecologia é definida como "a ciência de aplicar os conceitos e princípios ecológicos no desenho e manejo de agroecossistemas sustentáveis". Além disso,
"a agroecologia é um sinal de renovação e esperança para a agricultura familiar. É rejeitar o uso de agrotóxicos, adubos químicos e sementes transgênicas, que prejudicam a saúde e o meio ambiente. Com esta nova forma de produzir busca-se fazer o resgate de técnicas e desenvolver novas tecnologias, que respeitem a Natureza e que sejam do domínio dos agricultores, não causando dependência tecnológica." A agroecologia está além da ciência de cultivos ecológicos, sendo definida também como um estilo de vida, uma filosofia de relação comunitária e com o meio natural. Assim, a proposta de turismo agroecológico busca o fortalecimento deste movimento, que promove essencialmente a aproximação do Homem com a terra e o cultivo de alimentos saudáveis.
4 - A EXPERIÊNCIA DA COODESTUR EMPREGANDO O MÉTODO PARTICIPATIVO Na busca de promover a autonomia dos beneficiários foram utilizadas ferramentas e técnicas de trabalho que permitem um maior nível de participação e contribuem para ações de auto-gestão efetivas.
Os Métodos Participativos são um conjunto de instrumentos, ferramentas, técnicas, e dinâmicas que auxiliam no processo participativo, de maneira planejada e com enfoque na participação dos sujeitos. No entanto, a palavra participação pode ter significados diferentes para cada indivíduo. A este respeito, CORDIOLI in BROSE,(2001: 27) afirma que:
"Participar vai muito além de estar presente. Participar significa tomar parte no processo, emitir opinião, concordar/discordar. Em um processo participativo deve ocorrer o respeito às idéias de todos, sendo que todas as contribuições devem ser valorizadas e voluntárias. Deverá haver o desenvolvimento individual e permanente, considerando que a participação é indispensável, devendo ocorrer em todo processo." O processo participativo é contínuo. No entanto, é necessário mensurar o grau de participação dos sujeitos para identificar suas variações ao longo do trabalho.
VERDEJO (2006:16), demonstra a Escada da Participação, um quadro onde se "visualiza os diferentes níveis de participação e mostra que, efetivamente, todos os projetos são participativos, porém a diferença está em cada nível". Seguem os sete degraus da Escada da Participação: Quadro 1: Escada da Participação
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